Paineis reuniram especialistas para apresentar os avanços do programa, os desafios da expansão da infraestrutura Open RAN e as oportunidades para pesquisa, desenvolvimento e experimentação em redes 5G abertas e programáveis no Brasil

Os avanços alcançados pelo Programa OpenRAN@Brasil e os desafios para ampliar sua infraestrutura de experimentação estiveram no centro das discussões do painel “Do laboratório ao mundo real: Desafios na Expansão do Testbed do Programa OpenRAN@Brasil”, realizado no dia 25/5, durante o WRNP 2026. A atividade reuniu representantes da RNP e da academia para apresentar os resultados obtidos até o momento e discutir os próximos passos para consolidar uma infraestrutura nacional voltada ao desenvolvimento de soluções baseadas em redes abertas e desagregadas.
Participaram do debate Daniel de Area Leão Marques e Leandro Mondin, coordenadores de P&D da RNP, além da pesquisadora Dianne Scherly Varela de Medeiros, professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF). A apresentação trouxe uma visão abrangente sobre a trajetória do programa, seus investimentos, parceiros e perspectivas para os próximos anos.
Três fases para construir um ecossistema nacional de Open RAN
Durante o painel, os participantes destacaram que o OpenRAN@Brasil foi estruturado em três grandes fases, cada uma voltada a um conjunto específico de desafios tecnológicos e estratégicos.
A primeira fase concentrou esforços em pesquisa e desenvolvimento nas camadas de gerenciamento, controle e automação das redes, incluindo tecnologias como Service Management and Orchestration (SMO), RAN Intelligent Controller (RIC), SDN, P4, DWDM, SD-PON e orquestração de ambientes Cloud e Edge. Nesse período, foi implantado o primeiro testbed do programa, com ambientes experimentais localizados em Campinas (SP) e Rio de Janeiro (RJ).
Já a segunda fase ampliou o foco para o desenvolvimento de hardware e software, incluindo a criação de unidades de rádio (Radio Units/RUs), consideradas um dos componentes mais estratégicos e de maior custo da arquitetura Open RAN. As atividades também envolveram pesquisas em cibersegurança e o desenvolvimento de aplicações para o ecossistema RIC, integrando os resultados à infraestrutura experimental do programa.
Atualmente em execução, a terceira fase tem como principal objetivo expandir o testbed para todas as regiões do país. A iniciativa prevê a seleção de instituições de ciência e tecnologia para sediar novos ambientes de experimentação e fomentar pesquisas aplicadas em áreas como saúde, educação, agricultura, indústria, cidades inteligentes, jogos educacionais e sandboxes regulatórios.
Expansão da infraestrutura é prioridade
Um dos temas centrais do debate foi justamente o desafio de transformar uma infraestrutura inicialmente concentrada em poucos locais em uma plataforma nacional de experimentação.
Segundo os palestrantes, a expansão do testbed é fundamental para democratizar o acesso às tecnologias Open RAN, estimular a formação de competências técnicas em diferentes regiões do país e criar condições para que universidades, centros de pesquisa e empresas possam desenvolver e validar soluções inovadoras em ambientes reais.
A proposta da Fase 3 é estabelecer pelo menos um site de experimentação em cada região brasileira, ampliando significativamente a capilaridade da infraestrutura e fortalecendo a colaboração entre academia, indústria e governo.
Mais de R$ 113 milhões em investimentos
A apresentação também destacou a dimensão do investimento realizado no programa. Somadas, as três fases representam mais de R$ 113 milhões destinados à pesquisa, desenvolvimento, implantação e expansão de tecnologias Open RAN no Brasil.
Os recursos estão distribuídos entre as três etapas do programa: R$ 32,5 milhões na Fase 1, R$ 33,4 milhões na Fase 2 e R$ 47,1 milhões na Fase 3.
Para os participantes do painel, esses investimentos reforçam a importância estratégica do OpenRAN@Brasil para o fortalecimento da soberania tecnológica nacional e para a criação de um ambiente de inovação capaz de impulsionar o desenvolvimento de soluções abertas, interoperáveis e programáveis para as futuras redes móveis.
Construção colaborativa
Outro destaque foi o papel da colaboração entre instituições acadêmicas, centros de pesquisa, startups e parceiros tecnológicos. Ao longo de suas diferentes fases, o programa envolveu pesquisadores de instituições como UFF, UFPA, UFRGS, Unicamp, UFRJ, UnB, Unisinos, UFPE, UFPB, UFCG e UFG, além da participação de startups e parceiros industriais.
Coordenado pela RNP e executado em parceria com CPQD, Instituto Eldorado e Inatel, o OpenRAN@Brasil é uma iniciativa apoiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que busca consolidar um ambiente nacional de pesquisa, desenvolvimento e experimentação em redes abertas e desagregadas.
Ao final da sessão, os participantes reforçaram que a evolução do programa passa não apenas pelo desenvolvimento tecnológico, mas também pela criação de um ecossistema sustentável de inovação. Nesse contexto, a expansão do testbed surge como um passo essencial para aproximar a pesquisa da aplicação prática, ampliar oportunidades de experimentação e acelerar a adoção de soluções Open RAN no Brasil.
Assista à gravação da sessão (começa em 5:22:17):
O programa também teve um estande de demonstração no WRNP 2026 nos dias 25 e 26/5.

Já no dia 27/5, na Trilha da Indústria do SBRC 2026, o painel “Testbed OpenRAN como Plataforma de Desenvolvimento Tecnológico para a Indústria” debateu o uso de testbeds OpenRAN como catalisadores de inovação no ecossistema brasileiro de telecomunicações, com foco na aproximação entre academia e indústria e na validação de soluções em ambientes reais. Participaram Marcel Moura (Ring Zero Networks), Luciane Calabria (Pix Force) e Gaspare Bruno (Anlix) – representantes de startups que participaram do programa OpenRAN@Brasil – e Lucas Bondan, coordenador de P&D da RNP, Rafael Valle, gerente de inovação tecnológica da RNP, e Ana Georgia Barbosa, coordenadora de inovação tecnológica da RNP.
