OpenRAN@Brasil apresenta pesquisa sobre núcleo 5G em um dos principais eventos internacionais de gestão de redes, o NOMS 2026 

Artigo desenvolvido no âmbito do testbed do programa foi apresentado no NOMS 2026, em Roma, e reforçou a aderência das pesquisas brasileiras às principais tendências globais em redes abertas, automação e inteligência artificial aplicada às telecomunicações

O Programa OpenRAN@Brasil marcou presença no IEEE/IFIP Network Operations and Management Symposium (NOMS) 2026, um dos mais importantes eventos internacionais dedicados à gestão e operação de redes e serviços de telecomunicações. Realizado entre os dias 18 e 22 de maio, em Roma, na Itália, o simpósio reuniu pesquisadores, operadoras, fabricantes e provedores de tecnologia de diversos países para debater os avanços mais recentes do setor sob o tema “AI for Management and Management for AI”. 

 Representando o programa, o analista de Operações e Sistemas da RNP, Murilo Silva, apresentou o artigo “Evaluating UPF Implementations within the OpenRAN@Brasil Testbed” durante a Experience Session do evento. O trabalho avalia o desempenho de diferentes implementações da User Plane Function (UPF) e de tecnologias de aceleração, como eBPF/XDP e DPDK, em cenários 5G/Open RAN operados no testbed do programa. 

Segundo Murilo, a apresentação despertou interesse da comunidade internacional e abriu espaço para discussões técnicas sobre a infraestrutura desenvolvida no Brasil.

“A recepção foi positiva e o trabalho gerou discussões relevantes com outros pesquisadores da área sobre a infraestrutura do testbed OpenRAN@Brasil e a infraestrutura de rádio que utilizamos”, destaca. 

Além da apresentação do artigo, a participação no NOMS 2026 permitiu acompanhar pesquisas alinhadas às principais frentes tecnológicas exploradas pelo OpenRAN@Brasil. Entre os trabalhos observados estiveram iniciativas voltadas à automação de redes baseada em inteligência artificial, gerenciamento dinâmico de slices, arquiteturas de controle para ecossistemas Open RAN e propostas relacionadas à evolução das redes 6G. 

Um dos destaques foi a demonstração de mecanismos de handover dinâmico entre slices utilizando xApps e a interface E2SM, apresentada pela Universidade de Waterloo. Também chamaram atenção pesquisas sobre aplicação de Aprendizado por Reforço Profundo em ambientes Open RAN, além de um trabalho brasileiro liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás e da Universidade de Bolonha, que propôs métricas de integridade cognitiva para redes de acesso rádio voltadas ao 6G. 

 O evento também trouxe debates sobre desafios de interoperabilidade e heterogeneidade em ambientes de telecomunicações, incluindo propostas para evolução da camada de gerenciamento e orquestração (SMO) da Aliança O-RAN. Em paralelo, uma keynote dedicada ao tema “Resource Management in the Cloud Continuum: Communication & Computing Convergence” apresentou tendências em aceleração computacional e orquestração distribuída, abordando tecnologias como GPUs, TPUs, SmartNICs, eBPF/XDP e DPDK. 

 Outro ponto de interesse foi a apresentação do projeto europeu Slices-RI, um testbed de larga escala voltado à pesquisa em redes, rádio e serviços avançados, considerado por Murilo um paralelo relevante ao ambiente experimental desenvolvido pelo OpenRAN@Brasil. 

 A programação incluiu ainda demonstrações práticas de implantação automatizada de funções de rede 5G/Open RAN por meio de plataformas integradas ao Open Source MANO (OSM), evidenciando a crescente maturidade dos mecanismos de automação e gerenciamento distribuído para infraestruturas de telecomunicações. 

 Para Murilo, a participação no simpósio reforçou a relevância internacional das linhas de pesquisa conduzidas pelo programa. 

“O NOMS 2026 reforçou a relevância das linhas de pesquisa que desenvolvemos no OpenRAN@Brasil. Observei uma forte convergência entre os desafios que investigamos no testbed e as tendências da comunidade científica e industrial internacional”, afirma. 

De acordo com o analista, diversas soluções já utilizadas no ambiente experimental do programa, como Open5GS, Free5GC, OAI-CN, srsRAN, OAI-RAN, RIC-PLT e Liteon FlexFi, estiveram presentes em diferentes trabalhos apresentados ao longo do evento, demonstrando a sintonia do ecossistema brasileiro com os avanços globais do setor. 

A participação no NOMS 2026 também permitiu identificar oportunidades para a evolução do testbed do OpenRAN@Brasil, especialmente em áreas como gerenciamento e orquestração de redes, desenvolvimento de xApps e rApps, automação baseada em inteligência artificial e implementação de arquiteturas de operação autônoma. 

Temas como closed-loop automation e Zero-touch Service Management (ZSM) estiveram entre os mais discutidos durante o simpósio, sinalizando caminhos estratégicos para a evolução das redes 5G e para a construção das futuras infraestruturas 6G. Nesse cenário, a crescente convergência entre os ecossistemas Open RAN e 6G reforça a importância de iniciativas como o OpenRAN@Brasil para o fortalecimento da pesquisa, da inovação e da formação de competências avançadas em telecomunicações no país. 

Categorias