Publicação apresenta a infraestrutura de experimentação do programa, os testes já realizados e os planos de expansão para as cinco regiões do país
Como testar redes móveis abertas em condições próximas às de operação real e, ao mesmo tempo, permitir que pesquisadores e empresas experimentem soluções de diferentes fornecedores? Essa é a questão central do segundo whitepaper do OpenRAN@Brasil, “A Construção e Operacionalização de um Testbed em Escala Nacional”.
A publicação apresenta o planejamento técnico, a infraestrutura e o modelo de operação do testbed do programa. O ambiente reúne componentes de redes móveis 5G, redes ópticas e fixas, transporte de dados e computação em nuvem e na borda. Ao conectar esses elementos, permite investigar como diferentes tecnologias funcionam em conjunto e avaliar seu desempenho antes de uma possível adoção em redes comerciais.
O whitepaper também examina experiências internacionais de experimentação em redes abertas, como o i14y Lab, na Alemanha, o SONIC Labs, no Reino Unido, e o Open6G/Colosseum, nos Estados Unidos, para situar a construção do testbed brasileiro nesse cenário. Apresenta, ainda, consórcios e modelos de referência, como a O-RAN Alliance, a Open Networking Foundation, o Telecom Infra Project e a Linux Foundation, cujas especificações, arquiteturas e ferramentas orientam o desenvolvimento de redes abertas.
Casos de uso e validação
São detalhados três experimentos realizados no ambiente que demonstram o potencial de experimentação avançada habilitado por este modelo de arquitetura. Um deles utiliza uma aplicação para identificar a sobrecarga de uma célula da rede móvel e direcionar dispositivos para outra com maior capacidade. Outro testa o gerenciamento de equipamentos de diferentes fabricantes em uma rede de fibra óptica. O terceiro demonstra a configuração automatizada de uma rede móvel privativa e o uso de equipamentos programáveis para encaminhar dados com maior eficiência.
Além dos resultados técnicos, o documento aborda desafios práticos da construção de uma infraestrutura compartilhada, como a integração entre tecnologias, a maturidade de componentes de código aberto e a aquisição de equipamentos especializados. Essa experiência pode apoiar universidades, centros de pesquisa, empresas e operadoras interessados em desenvolver e validar soluções para redes abertas.
Na Fase 3, com previsão de execução contínua até março de 2028, o OpenRAN@Brasil prevê ampliar o testbed por meio de ilhas de experimentação distribuídas pelas cinco regiões do país. A expansão busca aproximar os testes de aplicações em áreas como indústria, agricultura, saúde, educação e cidades inteligentes.
O whitepaper foi produzido no âmbito do OpenRAN@Brasil. O programa é apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com recursos da Lei de Informática (nº 8.248, de 23 de outubro de 1991) e faz parte do Programa Prioritário em Informática (PPI) Internet Avançada da RNP.
Acesse o segundo whitepaper do OpenRAN@Brasil.