Projeto reúne quatro universidades para desenvolver e testar aplicações de saúde digital em uma infraestrutura distribuída

Conectar socorristas a especialistas durante atendimentos de emergência e integrar ambientes de educação em saúde a distância são os dois casos de uso propostos pelo OpenHealth5G no âmbito do OpenRAN@Brasil. O projeto pretende explorar redes 5G abertas em aplicações que exigem transmissão de imagens, interação em tempo real e integração de dispositivos médicos.
A iniciativa reúne uma equipe multi-institucional e interdisciplinar, com participação da UFRGS, da Unisinos, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da PUC-RS. A proposta é distribuir componentes da rede e das aplicações entre as instituições, utilizando a conectividade da região metropolitana de Porto Alegre para realizar os experimentos.
“A ideia é que as aplicações rodem de forma distribuída, que tenha sempre uma parte em uma universidade e outra parte em outra”, explica o professor Juliano Wickboldt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nesse arranjo, uma pessoa poderá utilizar óculos de realidade virtual em uma instituição e interagir com imagens e dados gerados em outra.
Apoio especializado no local da emergência
O primeiro caso de uso é voltado à telessaúde emergencial. O cenário apresentado prevê um socorrista que chega ao local de um acidente com câmera de alta resolução, microfone e equipamentos portáteis, como ultrassom e sensores. Esses recursos permitiriam transmitir informações para uma central, onde especialistas poderiam acompanhar o atendimento e orientar o profissional em campo.
Segundo Wickboldt, muitos dispositivos médicos portáteis já são utilizados com celulares ou tablets, mas não se conectam diretamente à rede 5G. O projeto pretende desenvolver e testar essa integração para viabilizar o compartilhamento remoto das imagens e dos dados coletados.
O tempo de resposta da comunicação é um dos desafios dessa aplicação. No exemplo do ultrassom, o especialista precisa acompanhar as imagens à medida que o socorrista movimenta o equipamento. Atrasos na transmissão podem dificultar a orientação a distância, como destacou o professor durante a apresentação.
Formação em ambientes imersivos
A segunda frente contempla educação médica imersiva, com possibilidades de uso em treinamento, capacitação e simulação de procedimentos. A proposta inclui recursos de realidade virtual e aumentada, manequins e sensores, com interação entre participantes localizados em instituições diferentes.
Os experimentos deverão aproveitar laboratórios e ambientes de simulação já existentes nas universidades. O desafio será integrar esses recursos à infraestrutura 5G e testar a comunicação entre os ambientes, considerando as demandas de cada atividade.
Wickboldt também mencionou o acompanhamento remoto de procedimentos reais como uma possibilidade de aplicação, ainda sem definição de sua inclusão nos experimentos.
Rede integrada às necessidades das aplicações
Entre as tecnologias previstas estão o network slicing, o desenvolvimento de aplicações para controle e monitoramento da rede e o uso do conceito de Open Gateway, para que as aplicações possam informar seus requisitos de qualidade à infraestrutura de comunicação em tempo real.
O projeto também prevê uma estrutura de apoio a experimentos com aprendizado de máquina, utilizada tanto nas aplicações quanto em componentes da rede. Segurança e privacidade dos dados de saúde, incluindo os cuidados relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), integram as preocupações apresentadas pela equipe.
A infraestrutura terá como ambiente principal o Ponto de Presença da RNP no Rio Grande do Sul (PoP-RS). Na apresentação da solução, disponível no Eduplay do OpenRAN@Brasil, Daniel Meyer detalhou o papel do PoP na hospedagem de componentes da rede e na conexão com as instituições participantes. A rede metropolitana MetroPOA dará suporte à interligação dos ambientes de experimentação.
Com essa estrutura compartilhada, o OpenHealth5G pretende investigar como redes 5G abertas podem atender às exigências de aplicações de saúde digital, aproximando pesquisadores de redes de comunicação e profissionais da saúde em experimentos entre instituições.
Assista o vídeo sobre a solução no canal OpenRAN@Brasil no Eduplay