OpenRAN@Brasil apresenta protótipo de rádio 5G e oportunidades de experimentação no Futurecom 2026 

Participação destacou o desenvolvimento de tecnologias para demandas brasileiras e o acesso gratuito à infraestrutura de testes por pesquisadores, estudantes e empresas

O programa OpenRAN@Brasil levou ao Futurecom 2026, realizado de 6 a 8 de outubro, no São Paulo Expo, seu protótipo de unidade de rádio 5G e as possibilidades de experimentação em redes móveis abertas. A participação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) apresentou ao público uma infraestrutura de testes disponível para a comunidade acadêmica e o setor de telecomunicações, além do desenvolvimento de tecnologias voltadas às necessidades brasileiras. 

Segundo Lucas Bondan, coordenador de P&D da RNP, a presença no evento permitiu apresentar essas duas frentes do programa. “Esse ano, levamos ao evento nossa solução, que está disponível para experimentação de maneira gratuita no Brasil todo, para pesquisadores, estudantes e até mesmo operadoras ou prestadores de serviço que queiram experimentar com o OpenRAN@Brasil, mas também o protótipo do rádio 5G desenvolvido pelo programa”, afirmou. 

Desenvolvimento voltado às demandas brasileiras 

A unidade de rádio aberta, ou O-RU, é responsável pela transmissão e recepção dos sinais de radiofrequência entre a rede móvel e os dispositivos dos usuários. Apresentado inicialmente no Fórum RNP, em agosto, o protótipo foi desenvolvido com a participação do CPQD, do Instituto de Pesquisas Eldorado e do Inatel e alcançou taxas de transmissão superiores a 1,5 Gbps em testes preliminares de laboratório. 

Para Eduardo Melão, coordenador de P&D no CPQD, desenvolver uma solução própria permite considerar as condições de uso no país. “O setor de telecom no Brasil sofre muito com a falta de cobertura em redes remotas e a falta de adaptação das soluções estrangeiras para a nossa realidade. Nesse sentido, desenvolvemos uma solução própria pensando nos casos de uso do cenário brasileiro, como agricultura digital”, explicou. 

Michelle Wangham, diretora-adjunta de PD&I na RNP, destacou a formação de capacidade de pesquisa e desenvolvimento em hardware e software como um dos desafios enfrentados nessa fase do programa. Na avaliação da diretora, criar condições para que pesquisadores trabalhem nessas frentes permite “produzir uma solução tecnológica tão importante para a soberania nacional”. 

Infraestrutura e conhecimento para a experimentação 

Além do desenvolvimento do rádio, o programa oferece ambientes de testes (testbeds) para apoiar a pesquisa e a validação de soluções. O acesso à infraestrutura também foi abordado sob a perspectiva das empresas, com destaque para o conhecimento das equipes que operam os equipamentos. 

Gaspare Bruno, cofundador e diretor de inovação da Anlix, ressaltou esse aspecto. “A grande vantagem da utilização dos testbeds é o acesso que a gente tem a todos esses equipamentos já com o conhecimento da equipe que consegue operar esses equipamentos. Então, o tempo de mercado é muito reduzido”, afirmou. 

O OpenRAN@Brasil é um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação voltado ao fortalecimento do ecossistema de redes abertas. A RNP atua como executora principal, junto ao CPQD, na criação de uma infraestrutura nacional de testes que apoia pesquisadores e empresas no desenvolvimento e na validação de soluções. 

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