OpenRAN@Brasil lança unidade de rádio 5G desenvolvida no país durante o Fórum RNP 2026

Protótipo funcional integra hardware e software em arquitetura aberta, alcançou taxas superiores a 1,5 Gbps em laboratório e seguirá para integração ao testbed do programa 

O programa OpenRAN@Brasil lançou, nesta quinta-feira (27/8), o protótipo da unidade de rádio 5G desenvolvida durante a segunda fase da iniciativa. A apresentação ocorreu no Fórum RNP 2026, em Brasília, e reuniu a diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Iara Machado, e o coordenador-geral de Inovação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Rubens Caetano Barbosa de Souza. A sessão integrou a programação da Arena Inovação. 

A Open Radio Unit (O-RU) é responsável por transmitir e receber os sinais de radiofrequência entre a rede móvel e os dispositivos dos usuários. O protótipo apresentado é um dos principais resultados da Fase 2 do OpenRAN@Brasil, desenvolvida entre 2022 e 2026 com a participação da RNP, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), do Instituto de Pesquisas Eldorado, do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e de grupos de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Unisinos. 

Durante o lançamento, um vídeo demonstrou a integração entre a unidade de rádio e o software de gerenciamento da rede. Juntos, os componentes formam uma solução baseada em arquitetura aberta, desagregada e interoperável, na qual equipamentos e softwares de diferentes fornecedores podem atuar de forma integrada. 

Conectado ao tema central do Fórum RNP 2026, “Soberania Digital – Dados, IA e Pessoas”, o lançamento evidenciou a importância de manter competências instaladas no país para desenvolver, adaptar e avaliar tecnologias estratégicas. Para Iara Machado, a soberania proporcionada pelas arquiteturas abertas está diretamente relacionada à possibilidade de fazer escolhas. “Como conseguimos ter uma arquitetura que seja mais soberana, no sentido de poder fazer escolhas, escolher o software que quero rodar ali dentro e não ficar presa a uma única solução?” indagou durante a apresentação do lançamento

Desenvolvimento colaborativo 

A construção da O-RU mobilizou conhecimentos em hardware, software, radiofrequência, processamento digital de sinais e integração de sistemas. O Inatel atuou no desenvolvimento, na montagem e na validação funcional dos principais módulos de hardware, incluindo alimentação, processamento em banda base, transmissão e recepção de radiofrequência, amplificação de potência, filtros e estrutura mecânica.  

O CPQD contribuiu para o desenvolvimento do software de gerenciamento da unidade de rádio, o chamado M-Plane, para a integração com o testbed do programa e para o módulo amplificador de potência. Já o Instituto Eldorado ficou responsável pelo desenvolvimento da lógica programável utilizada no processamento dos sinais. 

Nos testes preliminares de conformidade e desempenho, realizados em laboratório, a unidade de rádio alcançou taxas de transmissão superiores a 1,5 Gbps. O equipamento também chegou a 40 W de potência de transmissão e atendeu aos requisitos regulatórios previstos para a operação em redes privativas. Esses e outros resultados da Fase 2 foram apresentados pelo programa em junho

O vídeo demonstrando a operação do protótipo, bem como componentes internos do rádio desenvolvidos no programa (módulos de aplificação de potência e o front-end Digital) ficaram disponíveis na área de demonstrações do Fórum RNP para que o público pudesse conhecer o equipamento e conversar com as equipes envolvidas no desenvolvimento. 

Capacidade nacional e próximos passos 

Ao comentar os resultados, Rubens Caetano ressaltou que soberania tecnológica não significa prescindir de soluções estrangeiras, mas ampliar as condições para que o Brasil participe do desenvolvimento dessas tecnologias. “Temos competência e capacidade para desenvolver as nossas próprias soluções também”, afirmou durante a apresentação.

Segundo o representante do MCTI, o protótipo já constitui uma solução funcional e robusta, mas ainda precisará passar por etapas adicionais de aprimoramento até uma eventual transformação em produto comercial. A perspectiva é que o desenvolvimento nacional possa contribuir, futuramente, para redes desagregadas mais acessíveis e adaptadas a desafios brasileiros, incluindo a expansão da conectividade móvel em áreas remotas e localidades com menor atratividade comercial para as grandes operadoras. 

Na Fase 3 do OpenRAN@Brasil, a unidade de rádio deverá ser integrada ao testbed do programa, permitindo novos testes em ambientes experimentais e cenários mais próximos das condições reais de operação. A etapa também prevê a expansão da infraestrutura de experimentação para outras regiões do país e a continuidade do desenvolvimento das soluções criadas pelas instituições participantes. 

A RNP também buscará novos recursos para elevar o nível de maturidade tecnológica da O-RU e aproximar o protótipo de uma solução disponível ao mercado. O trabalho dará continuidade a um programa iniciado em 2021 e apoiado pelo MCTI com recursos da Lei nº 8.248/1991, conhecida como Lei de TICs. 

Cooperação para além do Brasil 

Durante o lançamento, Iara Machado também destacou a cooperação entre a RNP e a Research and Education Network for Uganda (RENU), a rede acadêmica de Uganda. As instituições mantêm, desde 2025, um acordo de colaboração que inclui experimentação em Open RAN e 5G, formação de profissionais e intercâmbio técnico. 

A perspectiva apresentada no Fórum é apoiar a implantação de um testbed Open RAN em Uganda e realizar residências técnicas entre as equipes dos dois países. A iniciativa busca compartilhar os conhecimentos desenvolvidos no programa e apoiar a experimentação de soluções voltadas à conectividade em áreas remotas, um desafio comum aos contextos brasileiro e ugandense. A cooperação está prevista no memorando firmado entre RNP e RENU

Ao reunir instituições científicas e tecnológicas em torno de uma solução funcional, a O-RU 5G amplia a base de conhecimento disponível no país para o desenvolvimento de redes móveis abertas. O lançamento no Fórum RNP marca a passagem de um ciclo concentrado em pesquisa, desenvolvimento e integração para uma nova etapa de validação, expansão dos ambientes de testes e aproximação com aplicações reais. 

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