O programa OpenRAN@Brasil retomou, no dia 7 de novembro, a reunião do Steering Board para apresentar os resultados alcançados nas três fases do projeto e debater os próximos passos para o fortalecimento do ecossistema nacional de redes abertas.   

A abertura do encontro foi conduzida por Iara Machado, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que destacou a importância do momento: “Seguimos avançando na Fase 3, com resultados significativos e novos desafios. É essencial ouvir o grupo sobre os desdobramentos e próximos caminhos do OpenRAN@Brasil”, afirmou. 

Tendências globais e perspectivas para o Brasil 

O diretor de tecnologia e inovação do CPqD, Gustavo Corrêa Lima, apresentou um panorama das tendências internacionais em Open RAN, ressaltando o avanço da aplicação de inteligência artificial em redes móveis e o surgimento do conceito de AI RAN, uma alternativa para mitigar disputas geopolíticas em torno do termo “Open RAN”.  

Segundo Lima, grandes fabricantes, como Nokia, Ericsson e Samsung, vêm incorporando as especificações da O-RAN Alliance em suas soluções. No Brasil, operadoras como Vivo, TIM e Claro já acompanham os movimentos de suas matrizes e devem iniciar experimentações especialmente em redes privativas voltadas a indústrias e agronegócios. 

Fase 1: infraestrutura consolidada e uso crescente do Testbed 

O coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, Lucas Bondan, apresentou o balanço da Fase 1, que consolidou a infraestrutura de testbed 5G Open RAN, com ilhas em operação no CPqD (Campinas) e no RNP (Rio de Janeiro), interligadas por um link de 10 Gbps. O ambiente já contabiliza mais de 20 experimentos, envolvendo academia, indústria, startups e operadoras, e resultou em 33 publicações científicas, minicursos e participação em eventos nacionais e internacionais. 

A Fase 1 também fomentou o ecossistema com seis grupos de trabalho acadêmicos e seis startups, que desenvolveram soluções em áreas como indústria 4.0, cibersegurança e agritech. 

Formação de profissionais em redes abertas 

Articulada pelo coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, Daniel Marques, a ação de capacitação mobilizou representantes da academia, indústria e governo em três workshops regionais (Rio de Janeiro, Brasília e Campinas), com o objetivo de definir diretrizes para a formação de profissionais em redes abertas. Entre os resultados, destacam-se a proposta de criação de uma Câmara Setorial em Redes Abertas e a ênfase em provas de conceito para atrair investimentos e consolidar o tema no país. 

Fase 2: desenvolvimento de um rádio Open RAN nacional 

Na segunda fase, as instituições RNP, Inatel, CPqD e Instituto Eldorado avançam no desenvolvimento de uma Unidade de Rádio (RU) 5G nacional, voltada à faixa de 3,5 GHz, com tecnologia MIMO 4T4R. 

De acordo com o professor e Pró-Diretor de Pós-Graduação e Pesquisa do Inatel, José Câmara Brito, os testes integrados estão previstos para serem concluídos até março de 2026. Ele destacou o potencial da solução para redes privativas, indústria 4.0, logística e agronegócio, além do interesse de empresas brasileiras como Liga Telecom e Sync Technology em acompanhar o projeto. 

Aplicações inteligentes e uso de IA 

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e assessor especial na diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, José Ferreira de Rezende, apresentou os avanços no desenvolvimento de aplicações inteligentes (xApps e xApps), que utilizam inteligência artificial para otimizar o desempenho das redes. 

A equipe desenvolveu “blueprints”, ambientes virtuais que permitem simular e testar aplicações antes da implementação no testbed real, uma iniciativa que já vem sendo usada por grupos de pesquisa e startups do programa. 

 Fase 3: expansão nacional do Testbed 

Na Fase 3, iniciada em 2025, o foco é a expansão da infraestrutura com novas ilhas na UFG e na UnB, além de chamadas públicas para hospedeiros e aplicações. Segundo o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, Gustavo Hermínio de Araújo, 12 instituições submeteram propostas para hospedar o testbed, e 26 aplicações foram inscritas em verticais como cidades inteligentes, saúde 4.0 e educação imersiva. A avaliação das propostas ocorrerá ao longo de novembro. 

Colaborações internacionais e próximos passos 

O programa vem atraindo interesse de redes acadêmicas e organizações internacionais, como Internet2, ESNet e Amlight, além da Politécnica da Califórnia e da IEEE América Latina, que destacaram o caráter inovador do modelo de experimentação gratuito e aberto. 

Entre as próximas ações, estão previstas a entrega da versão 2 da ORU, a apresentação do programa no Internet2 Technology Exchange (EUA) e participações no Futurecom e no Mobile World Congress 2026, em Barcelona, onde a AMD convidou o grupo a expor o rádio nacional desenvolvido na Fase 2. 

“Nosso objetivo é consolidar uma infraestrutura aberta e colaborativa, que permita ao Brasil não apenas acompanhar, mas liderar o desenvolvimento de tecnologias para redes móveis do futuro”, afirmou Iara Machado ao encerrar a reunião.